Centenário da AEL terá lançamento de concursos literários

Como parte das celebrações do centenário de sua fundação, a Academia Espírito-Santense de Letras vai instituir, em 2021, três concursos literários destinados à concessão de prêmios para autores nascidos e/ou moradores do Estado do Espírito Santo, nas categorias autor estreante (que não tem livro publicado) e autor com obra publicada. Os concursos homenagearão patronos acadêmicos por sua inestimável contribuição para a Academia e para a literatura produzida no Espírito Santo.

Estão programados os lançamentos do I Concurso de Poesia Kosciusko Barbosa Leão; o I Concurso de Crônicas Elpídio Pimentel; e o I Concurso de Contos Dom Benedito Paulo Alves de Souza.

O Concurso de Poesia Kosciusko Barbosa Leão promove uma homenagem ao advogado, jornalista e professor catedrático da Faculdade de Direito, primeiro ocupante da Cadeira 36 da Academia Espírito-Santense de Letras e um dos fundadores da AEL. Nascido em Santa Cruz, ES, em 12 de setembro de 1889, Kosciusko Barbosa Leão faleceu em Vitória, em 20 de maio de 1979, após ter doado o palacete em que residia para sede da Academia Espírito-Santense de Letras, atualmente também conhecida como Casa Kosciuszko Barbosa Leão, em homenagem ao doador.

O Concurso de Crônicas Elpídio Pimentel lembra o advogado, jornalista e professor Elpídio Pimentel (1894-1971), primeiro ocupante da Cadeira 12 e primeiro secretário da agremiação, e que publicou obras como Catálogo florestal e álbum do Espírito Santo (1922) e Quando o Penedo falava... História dialogada do Estado do Espírito Santo (1927).

Por sua vez, o Concurso de Contos Dom Benedito Paulo Alves de Souza destaca a memória do 3° Bispo da Diocese do Espírito Santo, que se notabilizou como o primeiro presidente da Academia Espírito-Santense de Letras e que pertenceu, ainda, ao Instituto Histórico e Geográfico do Espírito Santo. Nascido em Santos, SP, em 25 de janeiro de 1873, Dom Benedito Paulo Alves de Souza foi eleito membro da Academia Paulista de Letras em 1916. Faleceu no Rio de Janeiro, em 3 de abril de 1946.

Os concursos terão apoio da Fundação Jônice Tristão e os editais com o regulamento bem como os valores das premiações serão divulgados nos próximos meses pela AEL.

 

Antologia online

Em função da pandemia do novo coronavírus, que impôs o isolamento social como forma de prevenção, a Academia Espírito-Santense de Letras publicará, pela primeira vez, uma antologia online. Intitulado Torta Capixaba III, o livro eletrônico reunirá textos em forma de contos, crônicas ou poesias, com temas relacionados à cultura, história, arte, turismo e outros temas afins, preferencial, mas não obrigatoriamente, relativos ao Estado do Espírito Santo.

O edital de convocação, restrito à participação dos acadêmicos da AEL, foi divulgado no último dia 15 de junho, pela presidente da Academia Espírito-Santense de Letras, Ester Abreu Vieira de Oliveira. A organização desta antologia é do Conselho Editorial da Academia Espírito-Santense de Letras, responsável pela avaliação dos textos, que devem ser remetidos até o dia 20 de agosto, para o e-mail tortacapixaba@ael.org.br.

Os textos aprovados serão publicados no formato livro eletrônico, em PDF, no site da instituição, como uma prévia para comemoração do centenário da Academia Espírito-Santense de Letras, em 2021.

 

Presidente da ABL presta solidariedade pela pandemia

O presidente da Academia Brasileira de Letras, Dr. Marco Lucchesi, enviou correspondência à Academia Espírito-Santense de Letras, no dia 27 de maio do ano corrente, prestando solidariedade à presidente da AEL, Ester Abreu Vieira de Oliveira, e aos acadêmicos da instituição pelo drástico momento da pandemia que aflige o Estado do Espírito Santo. Na carta, Marco Luchesi reitera a certeza de que a “Academia Espírito-Santense de Letras encontrará formas virtuais de solidariedade para mitigar as terríveis consequências da pandemia. E saberá manter, na medida do possível, as cordas vocais e a missão cultural de sua egrégia Instituição: fortalecendo os laços com a sociedade civil e promovendo os valores éticos, frente aos imensos desafios sociais e sanitários por que passa a população”.

Em resposta ao ilustríssimo presidente da ABL, encaminhada no último dia 11 de junho, a presidente Ester Abreu agradece o gesto de solidariedade do Dr. Marco Lucchesi e informa que durante o período da pandemia a AEL tem respeitado a quarentena determinada pelas autoridades médicas e sanitárias, ao passo que utiliza a tecnologia para manter suas atividades de forma remota. “Para incentivar a produção dos membros da AEL, pela primeira vez, nesta Instituição, foi criada uma antologia online”, pontuou Ester Abreu, que finaliza a correspondência reiterando os agradecimentos ao Dr. Marco Lucchesi em nome dos confrades e confreiras.

 

Site da Academia ganha reformulação

O site da Academia Espírito-Santense de Letras passou por uma reformulação, sob a coordenação do acadêmico Pedro J. Nunes, e agora conta com a biografia de todos os quarenta atuais membros da entidade. No site também está disponível o histórico da AEL, a relação dos patronos acadêmicos, o estatuto da instituição e algumas das publicações promovidas pela Academia, como a Revista da AEL, a Coleção Roberto Almada e os Escritos de Vitória.

 

Literatura hispânica

A presidente da Academia Espírito-Santense de Letras, Ester Abreu Vieira de Oliveira, publicou diversos artigos, ensaios e poesias no Brasil e no exterior ao longo dos últimos meses. Profunda conhecedora de literatura hispânica, Ester participou em fevereiro do livro Mujeres ‘Transhemisféricas’: Letras de España y América Latina en Diálogo (La Plata, Argentina), com o ensaio “Lo contemporáneo de la creación poética de  Santiago Montobbio”, em que analisa a obra do poeta catalão Santiago Montobbio, membro correspondente da AEL. Em maio, teve poemas de sua autoria incluídos no livro eletrônico Antología Internacional “Contra Molinos de Viento-Poesía Fusión 2020” (San Luis, Argentina). No presente momento, aguarda a publicação da segunda edição online do ensaio didático “Estudio Comparativo de la Sintaxis Verbal Portuguesa y Española”.

No mesmo período, a autora publicou contos, ensaios, crônicas e artigos em diferentes veículos de comunicação, como a Revista Incommunidade (Portugal), Diário de Covid-19 (México), Jornal de Letras (Rio de Janeiro), A Gazeta (Espírito Santo) e Debates em Rede (Espírito Santo).

 

Bernadette Lyra recebe homenagem na UFES e participa de série sobre Saramago

A acadêmica Bernadette Lyra atuou em diversas frentes literárias neste primeiro semestre de 2020. Em janeiro, a escritora foi tema do número 2 da revista Fernão, produzida pelo Núcleo de Estudos e Pesquisas da Literatura do Espírito Santo (UFES). Publicada em janeiro, a revista eletrônica reuniu resenhas e artigos sobre os livros Água salobra, Ulpiana, O parque das felicidades, A panelinha de breu e Aqui começa a dança, além de trazer uma entrevista com a escritora.

Em fevereiro, Bernadette Lyra gravou participação na série documental Herdeiros de Saramago, para a TV portuguesa, na Biblioteca Alceu de Amoroso Lima, em São Paulo, junto à escritora Andréa Del Fuego. A série internacional tem a direção de Graça Castanheiro e produção de Carlos Vaz Marques, e entrevista outros escritores contempo-râneos de língua portuguesa. Está programada para ir ao ar em breve.

Em março, a escritora participou do projeto Viagem pela Literatura, da Prefeitura Municipal de Vitória, no qual conversou com professores e alunos do Colégio Maria Ortiz sobre o seu processo de criação literária. No mesmo mês, passou a assinar uma coluna fixa na seção Opinião, do jornal A Gazeta, publicada quinzenalmente, às terças-feiras.

Bernadette também está entre os 81 autores de todas as regiões do país entrevistados para o livro Notícia da atual literatura brasileira: entrevistas, organizado por Vitor Cei (UFES), André Tessaro Pelinser (UFRN), Letícia Malloy (Unifal) e Andréia Delmaschio (IFES).

 

Nas Asas do sertão

A acadêmica Jô Drumond também desenvolveu intensa produção literária neste primeiro semestre. Entre as principais atividades da autora destaca-se a publicação de Asas do sertão, livro de contos e crônicas no qual Jô Drumond pinça reminiscências de sua infância na Charneca, região mineira do Alto Paranaíba, a partir de narrativas baseadas em fatos reais que resgatam usos, valores e costumes de uma época. Na introdução da obra, a escritora explica que a temática sertaneja tem inspiração em Guimarães Rosa, uma de suas principais referências.

Membro da Academia Feminina Mineira de Letras, Jô Drumond publica regularmente no jornal Acontecendo Online (MG) e prepara o lançamento do livro Poemáqua, de poemas e aquarelas, com edição bilíngue francês/ português.

 

Direito e Literatura

A convite da Comissão de Direito Cultural e Propriedade Intelectual da OAB/ES, o acadêmico Getulio Marcos Pereira Neves participou, no dia 16 de abril, do seminário Direitos culturais: uma abordagem multidisciplinar, proferindo palestra sobre Direito e História pela plataforma Zoom.

No dia 13 de maio, o acadêmico participou de live pelo Instagram a convite da AsM Editora, na qual falou sobre o tema Direito e Literatura: complementaridade e intercessão.

 

Sonetos em crise

O acadêmico e poeta Jorge Elias Neto acaba de lançar, pela Editora Mondrongo, o livro Sonetos em crise, em que se propõe a traduzir a crise do homem do século XXI por meio da forma poética consagrada no Brasil por Vinícius de Moraes, Olavo Bilac e Augusto dos Anjos. O sombrio gênio paraibano, por sinal, é uma das referências do autor, que abre o livro com a epígrafe dedicada a Augusto dos Anjos.

No prefácio, o escritor e artista plástico Waldemar José Solha associa a leitura dos poemas de Jorge Elias Neto à “emoção tenebrista dos quadros do italiano Caravaggio, do espanhol José de Ribera ou do francês Georges de La Tour”, ao passo em que descreve os versos de sonetos da lavra do prefaciado, a exemplo de “Arrimo da Pedra Branca”:

Mas sou minguado, insignificante,
não sei da ira, da força desmedida,
sou ser prosaico, manso, tolerante,
que ao rés do chão vou farejando a vida.

 

Contando histórias online

A acadêmica Wanda Alckmin encontrou uma forma criativa de incentivar a leitura entre as crianças no período da pandemia: ela passou a contar histórias em arquivos de áudio, por meio do aplicativo WhatsApp.  Inicialmente a escritora encaminhou seus contos infantojuvenis para as amigas de suas filhas e para pessoas de seu circuito social.

No entanto, a iniciativa chegou até a professora Maria Renalda Alves Gomes, que passou a utilizá-la como projeto pedagógico junto aos alunos do terceiro ano do Ensino Fundamental do Colégio Exodo, em Bela Vista de Goiás (GO). De acordo com a professora, as histórias escritas e narradas por Wanda, inspiradas em temas como a proteção ao meio ambiente e o uso adequado da água, vêm contribuindo para a formação educacional dos alunos. “Suas histórias são completas e por meio delas podemos mergulhar em muitos assuntos importantes para a nossa sobrevivência”, afirma.

 

A história da música

O acadêmico José Roberto Santos Neves participou, no mês de junho, do Projeto Papo Musical, organizado pela musicista da Fames e pesquisadora musical Flavia Caitano. Durante o programa, exibido pelo canal do projeto no YouTube, o autor falou sobre a historiografia da música no Espírito Santo e sobre seus livros na área da MPB: Maysa (2005), A MPB de conversa em conversa – 40 entrevistas com grandes nomes da Música Popular Brasileira (2007), Rockrise – A história de uma geração que fez barulho no Espírito Santo (2012) e Crônicas musicais e recortes de jornal (2015).

 

Leia Capixabas

Criado oficialmente no dia 18 de abril de 2019, por iniciativa do acadêmico Anaximandro Amorim, o Clube de Leitura Leia Capixabas nasceu de um projeto de extensão chamado Minicurso de História da Literatura do Espírito Santo, ministrado pelo autor na Aliança Francesa de Vitória, em 2018, quando ele era acadêmico de Letras-Francês, na UFES, na disciplina Seminário e Extensão III, do Prof. Dr. Paulo Sodré.

Ao contrário dos demais clubes de leitura, que adotam um livro, o Leia Capixabas faz um recorte por gênero, trabalhando com crônicas, contos, romances, poesias, infantojuvenis, biografias e dramaturgias, sempre com foco em escritores nascidos ou criados no Espírito Santo, cuja biografia e obra tenham alguma relação com as fronteiras geográficas do Estado.  

Os encontros presenciais se dão nos terceiros sábados de cada mês, e neles são apresentadas obras dentro do recorte de gênero/geográfico. No entanto, devido à pandemia do Covid-19, nos últimos meses o Leia Capixabas passou a ser realizado de forma remota, por meio da plataforma Zoom, a exemplo do encontro do último dia 20 de junho. Os interessados em participar devem seguir o grupo no Instagram (@leiacapixabas).

 

Conexão poética ES-França

O acadêmico Anaximandro Amorim finaliza a tradução do livro Ballades Brésiliennes, de Antonio Dias Tavares Bastos, o “Charles Lucifer”, poeta capixaba que produziu toda a sua literatura em língua francesa, tendo se instalado em Paris, nos anos 1930, ali vivendo até sua morte, em 1960, como um verdadeiro “Embaixador da Poesia Brasileira na França”. Ballades... foi publicado em 1924, na capital francesa, quando o poeta ainda morava em Vitória, ES.

O mais recente trabalho de Anaximandro, A obscuridade, romance que está gratuitamente publicado na plataforma Wattpad, ganhou uma versão e-book pela Amazon e uma versão impressa pela AGBook/Clube de Autores.

 

Poesia da Espanha para o mundo

Membro correspondente da AEL na Espanha, o escritor e poeta Santiago Montobbio realizou, no primeiro semestre, diversas videoconferências e publicações em revistas e sites de diferentes países: Espanha, França, México, Brasil e Nicarágua. Entre outros espaços voltados para a literatura, Montobbio teve seu conjunto de poemas e prosas En los momentos difíciles la poesía siempre vuelve publicado na Revue d’Art et de Littérature, Musique, na França, no último dia 05 de abril.

Outros destaques foram a publicação do texto “Vida ya ganada para siempre” no número 95 da Revista Cultural Centroamericana, de Managua, Nicarágua; o poema “Ex Libris”, publicado no número 254 do Jornal de Letras (RJ),  com tradução para o português de Ester Abreu Vieira de Oliveira; e a publicação de um vídeo com a leitura do poema “Leo en la prensa…”, na seção “Poetas en cuarentena”, da revista mexicana Diarios de Covid-19.

 

Diferentes olhares sobre os anos 1970

Memória e poesia: esta tem sido a produção literária do acadêmico Ítalo Campos durante a pandemia do Covid-19. Nesse período, Ítalo participou como organizador do livro Era assim nos tempos da Fafich, no qual reúne depoimentos de colegas de faculdade da Universidade Federal de Minas Gerais sobre os acontecimentos, os comportamentos e os valores vigentes na capital mineira, em Minas Gerais e no Brasil, no início da década de 1970, incluindo o registro da visita ao país de intelectuais como Michel Foucault. Nos últimos meses, Ítalo também participou de transmissões online sobre psicanálise e arte, a exemplo da live realizada pela Galeria Matias Brotas, no último dia 04 de junho.

Além de publicar sua produção poética nas redes sociais, o acadêmico organiza um livro de contos que terá o título de Rua Araguaia, nome da rua onde morou na infância, no qual convida amigos a registrar suas memórias sobre os anos 1950 e 1960. “Serão depoimentos e memórias importantes que tenho valorizado”, adianta.

 

Jornal da AEL
Publicação semestral online da Academia Espírito-Santense de Letras
Expediente
Edição: José Roberto Santos Neves e Pedro J. Nunes
Redação: José Roberto Santos Neves
Editoração eletrônica e revisão: Pedro J. Nunes
Colaboração: acadêmicos membros da Academia Espírito-Santense de Letras
Supervisão: Ester Abreu Vieira de Oliveira

 

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